Originário da área internacional do ministério, Daniel Ferraz quer levar a experiência que acumulou ali em contatos com instituições de outros países para acelerar a aplicação dessa estratégia. Segundo ele, este é o momento certo para as cooperativas buscarem novos horizontes.
"O cooperativismo nasceu da união das pessoas para enfrentar momentos de adversidade. Agora, em meio à crise financeira internacional, surge a oportunidade para que as cooperativas se unam em busca de formas de interação entre elas", disse. Observa que sua proposta pode ser novidade no Brasil, mas já foi testada com êxito em outros países. Nos anos 70, por exemplo, houve vários casos de acordos entre cooperativas de vários países. Os melhores exemplos estão na Alemanha, Itália, França e Espanha.
Sem desconhecer o papel desempenhado pelas tradings companies, ele defende que as cooperativas brasileiras atuem mais intensamente no comércio de exportação e importação.
"Nossas cooperativas podem vender aqui o que é produzido por suas congêneres de outros países e elas podem comercializar no exterior o que nossas cooperativas produzem aqui", esclarece. Mas seus planos vão além, com o incentivo ao cooperativismo do futuro (Cooperjovem) e ao cooperativismo de gênero, com ênfase à integração da mulher nessa atividade.
Programas especiais executados em conjunto com outros ministérios (Educação e Saúde, por exemplo) servirão de sustentação ao incremento dessas idéias. Vera Lúcia de Oliveira, Coordenadora Geral de Autogestão Cooperativista do Denacoop reforça a idéia do cooperativismo de gênero, citando exemplos de casos bem sucedidos.
O programa já chegou a vinte estados brasileiros e representa uma forma de incorporação da mulher na atividade econômica, abrindo para ela oportunidade de realização individual. Citou o exemplo de uma cooperativa de produtoras de flores em Pilões (PB) e outra em Treze de Maio (RS), ligada à produção de grãos. No segundo caso, havia entre elas pessoas que mal tinham concluído o primeiro grau. Atualmente acessam e acompanham as cotações da bolsa de cereais de Chicago.
Geraldo Moura
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